caledoscopio

Buscar trabalho pelo salário- Nisso quase todos os homens dos países civilizados são iguais;para eles o trabalho é um meio,não um fim em si;e por isso são pouco refinados na escolha do trabalho,desde que proporcione uma boa renda.Mas calma….Ainda existem seres raros,difíceis de satisfazer,aqueles aos quais não serve uma boa renda,se o trabalho mesmo não for a maior de todas as rendas.A esta rara espécie também pertecem os artistas e alguns outros do gênero…Existem também aqueles ociosos que passam a vida a caçar,(Assistam o filme Na Natureza Selvagem!!!),em viagens,em atividades amorosas e aventuras.Todos estes querem o trabalho e a necessidade enquanto estejam associados ao prazer,e até o mais duro e difícil trabalho ,se tiver que ser.De outro modo são de uma resoluta indolência,ainda que ela traga miséria,desonra ,perigo para a saúde e a vida.Não é o tédio que eles tanto receiam,mas o trabalho sem prazer;necessitam mesmo de muito tédio ,para serem bem-sucedidos no seu trabalho.

Não passa de um preconceito moral que a verdade tenha maior valor que a aparencia;é inclusive a suposição mais mal demonstrada que já houve.Admita-se ao menos o seguinte:não existiria nenhuma vida ,se não com base em avaliações e aparências perspectivas;e se alguém ,com o virtuoso entusiasmo e a rudesa de todos os filósofos,quisesse abolir por inteiro o “mundo aparente”,bem,supondo que vcs pudessem fazê-lo_também na sua verdade não restaria nada!Sim,pois o que nos obriga a supor que há uma oposição essencial entre “verdadeiro”e “falso”? Não basta a suposição de graus de aparência,e como que sombras e tonalidades do aparente,mais claras ou mais escuras_diferentes valores,para usar a linguagem dos pintores? Porque não poderia o mundo que nos concerne_ser uma ficção? E quem a faz a pergunta:-”Mas a ficção não requer um autor?”_não se poderia replicar : Porquê? Esse “requer” não pertenceria também a ficção? Não é permitido usar de alguma ironia em relação ao sujeito,como em relação ao predicado e objeto? O filósofo não poderia se erguer acima da credulidade da gramática?
(NIETZSCHE) 1886